Centenário do Congresso
Municipalista de Lisboa

Lisboa, 16 de Abril de 2009



Senhor Presidente da Câmara Municipal de Lisboa

Senhor Presidente da Associação Nacional dos Municípios Portugueses

Caros Professores António Reis e Castro Leal

Minhas Senhoras

Meus Senhores



Assinalar o Centenário do 1º Congresso Municipalista, integrado no contexto da celebração do Centenário da Primeira Vereação Republicana do Município de Lisboa, e a poucos meses do Centenário da República, é reviver o papel do municipalismo na afirmação da identidade local, da consciência colectiva da importância de uma dimensão de proximidade e da defesa dos interesses das populações. É salientar o papel do municipalismo na afirmação dos valores republicanos, dos ideais de participação política, de alargamento do sufrágio, do direito à instrução e à qualidade de vida.

Nos últimos 30 anos, o municipalismo renasceu enquanto forma de manifestação daquilo que é a mais profunda dimensão da participação cívica. Se é certo que qualquer outra função pública, em democracia, está ao alcance de qualquer cidadão, a realidade é que poucos atingem os patamares mais elevados. Só o poder local permite esta dimensão de proximidade, que leva a que, neste momento, mais de 40 mil portugueses desempenhem funções nas autarquias locais, da mais singela freguesia aos municípios de cidades como Viseu ou Lisboa.

O municipalismo, em Lisboa, esteve ligado à afirmação do ideário republicano. Esta primeira vereação foi uma manifestação dos chamados “novos tempos”. E o que estamos a celebrar aqui é, de alguma forma, a antecipação do que é hoje a Associação Nacional dos Municípios Portugueses, enquanto parceiro fundamental do Governo na afirmação da vontade de um país baseado nos princípios da autonomia local e da subsidariedade, de que a descentralização é uma componente essencial.

Ainda ontem, eu e o Dr. Fernando Ruas tivemos oportunidade de estar presentes no acto que consolidou aquilo que é um passo marcante na descentralização. Um passo que foi, aliás, justamente iniciado com a presença do Dr. António Costa e do Dr. Fernando Ruas no Congresso que celebrou os 30 Anos do Poder Local Democrático, em 12 de Dezembro de 2006, quando o Governo e os municípios lançaram reciprocamente o desafio de trabalhar por uma efectiva descentralização de competências em áreas marcantes de proximidade como a Educação, a Saúde ou a Acção Social.

O que, em comum, o Governo e a Associação Nacional dos Municípios Portugueses ontem assinalaram foi a criação de um Observatório das Políticas Locais de Educação em que, compartilhando responsabilidades e até o financiamento, iremos avaliar os méritos, os riscos e os domínios a corrigir desse processo de descentralização. Aqui e ali haverá legítimas dúvidas e diferenças sobre o caminho a seguir. Mas estamos, certamente, marcados por um sentido comum de afirmação do papel insubstituível do poder local democrático na qualidade da democracia e do papel de uma descentralização como factor de elevação da qualidade de vida das populações e de competitividade dos territórios.

É particularmente significativo que, em Lisboa, neste contexto histórico, com a presença do actual presidente da Câmara de Lisboa e do senhor presidente da Associação Nacional de Municípios, se celebre esta memória, e que em torno dela se afirmem os caminhos de um futuro assente na coesão territorial, na descentralização e na afirmação do papel dos municípios para uma sociedade mais solidária e mais participada.

Muito obrigado